Publicado por: Bruno Nigro em: 15 15UTC Abril 15UTC 2009
“Também temos saudade do que não existiu, e dói bastante…”
(Carlos Drummond de Andrade)
Defina saudade. Não a palavra em si, mas o sentimento escroto chamado saudade. Escritores, poetas, músicos, jornalistas formados na Estácio de Sá… não importa o nível de intelectualidade do sujeito, não é uma tarefa das mais simples definir a falta que alguma coisa faz.
Podemos sentir saudade de tudo: da professora boazinha da escola, do amigão que cruzava o bairro de bicicleta com você e até mesmo do Bolota, um vira-latas que seu irmão mais novo levou escondido pra casa e acabou virando membro da família. Existem ainda as sensações que remetem a lembranças saudosistas como, por exemplo, ouvir ‘My Girl’ me lembra a minha primeira paixonite aos 9 anos. Ah, claro… saudade pode ser a coisa mais brega do mundo.

Chico Buarque canta em ‘Pedaço de Mim’ que ‘Saudade é o revés de um parto / Saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu’. Zeca Baleiro canta ‘A saudade é um filme sem cor / Que meu coração quer ver colorido’. As definições são as mais variadas, mas todas remetem a falta de algo, a um vazio…
E quando esse vazio não tem um motivo claro? Nem um rosto, nem um cheiro definido. Está simplesmente ali, no seu peito. E você suspira por um amor que ainda não teve, por uma viagem que ainda não fez e por aí vai. Misturando culpa, anseios, marasmo e whatever, vamos cavando ainda mais o buraco. E com a mesma velocidade que veio, a saudade do que não existiu vai embora. Prometendo voltar qualquer dia desses, mas você não sabe disso e nem percebe.
Saudade bonita, se é que existe, é aquela que te desmancha num sorriso bobo, do nada. E você ganha alguns segundos de vida, um alívio imediato na correria sem sentido dos dias de hoje. Penso que no final de tudo, a graça está justamente em seguir em frente. Olhar pra trás é só um aperitivo da longa estrada da vida que não vai parar só porque você pediu.
Pense nisso. Ou não…rs
‘Diretamente do Limbo’ é uma série de rascunhos que comecei a escrever ainda no ano passado mas, por algum motivo que não vem ao caso, acabei perdendo o timming da publicação. Agora, o exercício de buscar no limbo do meu hipocampo cerebral me distrai nos intervalos de programação intensa.
Haha…pensei que a My Girl lembrava a mim! rs* Bolachinhaaaa
19 19UTC Maio 19UTC 2009 às 12:08 pm
como diria algum ser por aí, que não sei o nome: ’se saudade fosse coisa boa, existiria em inglês!’