Publicado por: Bruno Nigro em: 5 05UTC Janeiro 05UTC 2009
Para ler ouvindo: “Stand By Me“, do álbum “Lennon Legend: The Very Best of John Lennon“.
Não pretendia que o segundo post do ano fosse, de certa forma, inspirado por um acontecimento tão triste. Mas, quando você toma conhecimento de alguém tão jovem (que não bebia, não fumava e que tinha uma vida normal) acaba de falecer, não tem jeito, é PRECISO colocar pra fora algumas coisas. Não movido por um sentimento mórbido de ‘ah, coitadinha… tão nova’, muito pelo contrário.
Movido por um sentimento que, a medida que crescemos e aprende outros valores na vida, todo mundo esquece do quanto somos pequenos. Esquecemos que nosso tempo aqui nisso que chamamos de ‘vida’ é só um suspiro quando comparado a história da humanidade inteira. Esquecemos que o carro do ano, o apartamento de frente ao mar e os trocados suados na conta bancária vão ficar aqui se, num repente, a nossa vida escapar num suspiro e deixar de existir.
Somos imediatistas, ávidos por conquistas e não estamos errados ao agir e pensar dessa forma. Foi isso que garantiu e garante a nossa sobrevivência por aqui. A nossa incrível capacidade de criar as soluções mais modernas só para garantir mais alguns minutos por aqui, para conquistar mais coisas; coisas que vamos deixar aqui, mas que enquanto tivermos força nos braços para conquistá-las, nós vamos querer! E, hey! Estamos certos!
…18 anos, e de repente, a viagem pra Europa, pra Disney com a grande amiga se transforma num sonho unilateral. A gratidão pelo ouvido amigo sempre presente vira história pra contar; as risadas, conquistas e perdas, tudo isso, vira só uma página abandonada no Orkut. Um contato no MSN que não vai mais ficar online… Vejam como são insignificantes tais rabiscos mentais que faço agora!
Mas, pensem comigo: por que será que só damos atenção a esse detalhe, a brevidade da vida, quando uma delas é ceifada do nosso lado, tão absurdamente do nada. Ela não era minha amiga, e sim uma conhecida de shows perdidos de rock n’ roll. Não se trata de uma despedida (nunca disse ‘oi’ para ela, logo), mas apenas um reflexo das minhas conclusões a respeito de algumas coisas.
Será que precisamos ter tanto medo de viver? Tanto medo de se apaixonar e de respeitar o próximo, mesmo que e o próximo venha te decepcionar lá na frente? Será que respeitar a diferença de raciocínio em favor da amizade mais sincera é um erro? Será que vamos chegar muito longe dando mais atenção ao mundo seguro do nosso umbigo… e não ao universo ao nosso redor? Pensando assim, eu me vejo como ‘the fool on the hill’: não tenho medo da vida, tenho medo é de viver pela metade ou pior, de não viver.
Nessa minha aparente confusão mental, torço para que descanse em paz e aproveite a viagem… qualquer plano superior é melhor do que esse que chamamos de vida. Mas isso é o que temos nas mãos agora; e no manual de instrulções diz: ‘Com ou sem moderação, tanto faz… viva a sua vida!’ – será que realmente a grama do vizinho é mais verde que a nossa? E, se for pra dividir, que tal se pelo menos for em partes iguais?
…e tudo isso vale inclusive para quem escreveu esse texto: um cara individualista aparentemente irremediável, mas que no fundo é só mais um na mesma fila, indo para o mesmo lugar.
8 08UTC Janeiro 08UTC 2009 às 2:35 am
Não digo que esqueço, mas sim que esquecia. Garanto que algo tão grave quanto esta tragédia descrita por você transformou algumas formas de pensar que eu tinha. E tenho orgulho em dizer que eu tinha, e não tenho mais pensamentos que hoje considero ridículo.
Exatamente como dito por você, aquele carro legal, morar em algum lugar legal, ter o último iPod e toda e qualquer ostentação ou “prazer” torna-se INÚTIL quando, de uma hora para outra, coisas deste tipo acontecem com quem conhecemos ou até com alguém que apenas soubemos da existência. Isto chama-se ter coração e muito medo do amanhã.
Por isto eu curto. Cada momento. Seja deitada na cama sábado a noite, nas baladas, trabalhando … tudo.