Bloguice Ácida

Uma vez Flamengo…

Publicado por: Bruno Nigro em: 28 28UTC Outubro 28UTC 2009

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Nasci em 82, filho de uma mineira vascaína com um carioca que só muitos anos depois eu ficaria sabendo que era rubro-negro. Minha família inteira, primos, tios, padrinhos e, provavelmente, todos os agregados também são vascaínos. Eu sempre tive a tendência de ser um contestador, aliás, característica que conservo até hoje.

Quis o destino (ou a genética) que durante boa parte da minha infância, eu fosse completamente destrambelhado e sem a menor aptidão para os esportes. Isso significava uma criança chata, que enfiava a cabeça nos livros ou no videogame, mas era incapaz de chutar uma bola com o mínimo de decência. Por alguns anos, para evitar assunto durante as festas em família, quando a crew de machos da família Campos se reunia para falar de futebol (e o assunto era, lógicamente, sobre o Vasco) sempre sobrava a pergunta:

“Bruno, você é Vascão né?” – Chato que era, ficava calado.

Só muitos anos depois eu entenderia a raiva de um certo Ladrilheiro, “aquele crioulo filho de uma puta” – urrava entre dentes um tio visívelmente frustado. Sempre que o assunto era futebol, sobrava uma ofensa para o tal ‘Framengo’ que era, na boca maldita dos parentes ‘time de favelado’, entre outras ofensas. Eu era o típico nerd, inteligente e isolado, além disso odiava ofensa gratuítas pois era zoado na escola, como todo nerd.

Os anos passaram, as histórias revoltadas aumentavam junto com minha curiosidade para conhecer o tal Flamengo. Naquela época não tínhamos Google, e pedir para uma mãe vascaína pra comprar uma ‘Placar’ com o tal Zico na capa era pedir pra sair da herança (que não tenho aliás). Em 1992, tinha ido ao Hospital da Cruz Vermelha, e na fila de espera para a oftamologista tinha uma mulher com uma camisa do tal Flamengo. Conversa vai, conversa vem, ela falava com entusiasmo de um jogo que ia acontecer em alguns dias: a final do Campeonato Brasileiro entre o tal Flamengo contra o Botafogo.

De algum jeito, convenci meu pai a me levar no Maracanã, na época em que cabiam 120 mil pessoas lá dentro. Era a minha primeira vez no meio de uma multidão vestida de vermelho e preto onde tinha de tudo, mas por algum motivo que a razão desconhece, o nerd introvertido aqui foi se empolgando e quando viu estava cantando o hino do clube (e esse momento me arrepia até hoje, enquanto escrevo esse texto).

“Eu teria um desgosto profundo, se faltasse o Flamengo no mundo…”

Vimos, do outro lado do Maracanã, o momento em que a grade partiu e um monte de torcedores da Raça caíram de lá. Participei do último grande público do Maracanã, com 122.001 pessoas. E eu provavelmente sou esse 1 aí do final…

A história do jogo todo mundo sabe: Vovô Garoto dando um show no auge dos 38 anos, voltando pra jogar no Flamengo a pedido do filho. Pentacampeonato Brasileiro, a marca que demorou mais de uma década pra ser quebrada, o primeiro título do mais novo membro da Magnética. De repente, todas as conversas magoadas dos meus tios fizeram sentido. Devia ser horrível torcer para um time que não tinha uma torcida daquela, onde todo mundo tem espaço, do mais abastado ao mais miserável.

Ao longo desse tempo, já revivi essa mesma cena diversas vezes, com pais que levam seus filho menores para o Maracanã e a criança sai maravilhada. Ou aquele amigo sem time, que vai pro meio da torcida e volta pra casa com um sorriso na cara doido pra comprar o seu manto sagrado. As históras são muitas, a satisfação e o orgulho, imensos.

Hoje, dia 28/10, não é só dia de São Judas Tadeu, padroeiro do clube. É o Dia do Flamenguista. É o segundo aniversário de 35 milhões de rubro-negros espalhados pelo mundo, e à torcida arco-íris só pedimos que guardem o recalque para amanhã e respeitem o que nunca conseguirão ter: a incrível e magnética torcida do Flamengo.

Saudações Rubro-Negras

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Giva, Givarreh – A Oração

Publicado por: Bruno Nigro em: 10 10UTC Setembro 10UTC 2009

porondeandavoce.com

Escrevo basicamente todos os dias, ou quase todos. Basta surgir a idéia que saio rabiscando no primeiro bloco de notas que tenho pela frente. Quando digo ‘bloco de notas’, estou falando específicamente aquele do computador – uma vez que passo pelo menos 15 horas por dia na frente de um.

Nessas escapadinhas literárias, geralmente escrevo letras de músicas. Uma delas, eu escrevi em um sábado de flashback, apagando algumas fotos (confesso que hoje me arrependi de ter apagado, pois seriam úteis agora). A nostalgia me despiu da possível avacalhação do rock e me fez enveredar pelo mundo do samba. Como não sou lá muito bom pra compor uma melodia que chegue próximo de um, resolvi chamar meu grande amigo Gilvan, a.k.a Giva Givarreh. Eis que na madrugada ele me deu a boa notícia de que tinha concluído a gravação e hoje mandaria a música.

Ok, talvez eu nunca tenha dito que sofro com um único mal, irremediável: a ansiedade de ver como uma idéia ganhou vida, ficou pronta. Nesse momento, ao invés de escrever um e-mail normal, acabei criando uma espécie de oração, meio mambembe, meio moleque, mas honesta.

Oremos:

“Giva, Givarreh!
Bendito seja vossa criatividade
E habilidade de composição
Mas por favor, vê se me ajuda
E não me mate do coração

Por isso é de bom grado
Que espero, desesperado
Por favor, me envie o samba
De bom partido, classe A.

Giva, Givarreh…
Tenha de mim a certeza
De que nunca mais faltará o mé
Nem na minha, nem em vossa mesa
Nunca mais verá a pobreza
Só fartura e adoração

Giva, Givarreh… como é que é?
Cadê o maldito do samba-canção?!”

(…)

Enquanto isso, eu aguardo… e rabisco a sequência disso tudo.

porondeandavoce.com

Casa, comida, três milhão por mês, fora o bafis!

Publicado por: Bruno Nigro em: 29 29UTC Julho 29UTC 2009

Esculhambado, fanfarrão, malandro da ‘Mangueiris’, sambista da cor, original. Antônio Carlos, como insistia Didi Mocó (‘copanhêro’ do saudoso e extinto programa ‘Os Trapalhões‘), ficou mais conhecido pela alcunha de Mussum. Não só por isso, mas pela imortalização de um personagem que seria praticamente impossível de se ver na TV de hoje, cada vez mais chata, sem criatividade e pseudo-carola.

Forévis!Mussum vivia agarrado a uma garrafa de cachaça, melhor, ao seu ‘mé’. E constantemente fazia piadas que hoje seriam consideradas racistas e caçadas pelo bonde do ‘politicamente incorreto’, sendo ele mais preto que azeviche. Foi dele expressões como ‘quero morrer pretis se eu tiver mentido!’, ‘crioulo é a velha!’ ou ainda ‘preto é teu passadis!’. Aliás, acrescentar ‘is’ e ‘évis’ ao final de palavras era outra característica desse grande humorista, que foi embora cedo, aos 53 anos. Não resistiu a um transplante de coração e acabou levando consigo o último pilar da graça quase ingênua d’Os Trapalhões.

Lembro-me das cenas de briga, onde o valente Kid Mumu dava um pescotapa, seguido de uma banda no coitado do oponente que se esborrachava no chão. Mambembe, e por isso mesmo muito bom. Sem contar as suas caricaturas como Branca de Neve, as perucas loiras, e até uma versão invertida da Angélica com direito a pinta branca na perna e tudo. Nos clipes e paródias, era certo, aparecia como um bêbabo incurável, ou como uma ‘criloura’. Só o Mussum vai em um programa de calouros pra cantar ‘Calaboquis’ e ‘Sou Filho de Piloto’, sob a alcunha de ‘Empalhadinho da Mangueira’:

15 anos sem o Azulão, Caipirinha, Cromado, Maizena, Morcegão, Grande pássaro, Kid Mumu da Mangueira, “Da Mangueira”… sem substituto até hoje e, provavelmente, para sempre.

Valeu, Antônio Carlos! =)

‘I like to be under the sea, in a octopus’s garden with you…’

Publicado por: Bruno Nigro em: 4 04UTC Julho 04UTC 2009

*Post do tipo ‘o twitter me liberou 500 caracteres ao invés de 140′.

Final de semana chega, e eu estou aqui no Submarino, me preparando para uma jornada curtíssima de trabalho. Enquanto isso, minha mulher está em casa, dormindo. Azeitona também está em casa, dormindo depois de fazer um escândalo teatral quando saí. Eu também dormi, no caminho, sacolejando no banco da condução. Não tanto como no sono dos justos, mas quase isso.

Olho os e-mails, recebo uma resposta a respeito d’A Batalha do Apocalipse e tenho idéias de dominação mundial (pelo menos no que tange o mundo das editoras). Normal, não escondo de ninguém minha hiperatividade. E enquanto você se pergunta o que diabos tem isso a ver com o título desse texto, eu respondo:  Não sei, talvez mais tarde eu vá passear no Pink Fleet, jantar no 42º andar de um prédio no Jardim Botânico ou,  pra variar, comecei o dia ouvindo Beatles.

Mas faz bem questionar, claro. Curiosidade nunca foi algo ruim, só para os gatos. Mas estes têm, dizem, sete vidas.

Assalto a mão desarmada

Publicado por: Bruno Nigro em: 28 28UTC Junho 28UTC 2009

Puta que pariu! Repito: PU-TA-QUE-PA-RIU! Se tem uma coisa que eu odeio é o famoso ‘assalto a mão desarmada’, quando alguém tenta se dar bem em cima do teu suado dinheirinho na mão grande. Ultimamente, os taxistas estão ficando cada vez mais caras de pau nesse sentido.

Ontem, voltando com minha mulher de uma festa, pedimos um táxi na recepção do evento. 15 minutos depois, chega o carro, não era VIP (ou premium, ou Silas Mothafucka) mas era todo cheio de firulas como DVD, GPS, ar-condicionado na medida… tinha tudo MENOS o principal: o taxímetro. Até aí tudo bem, não gosto de pegar táxi com preço fechado, mas confio no bom-senso e dignidade das pessoas. E é geralmente é aí que me fodo…

O taxista me cobrou o equivalente a uma corrida da Central até a Mesquita (aproximantamente 37,8 km). Sendo que andamos do Shopping Grande Rio, em São João de Meriti até o centro de Mesquita (10,3 km)! Tudo isso porque , de repente, se tornou uma prática comum não usar o maldito taxímetro. Os valores não importam, eu tive uma noite ótima com minha mulher, nos divertimos e isso era o mais importante. O que me deixou puto foi a tremenda cara de pau do taxista, me dizendo que ‘a tabela tinha sofrido um reajuste’! Vai te fuder de verde-e-amarelo, malandro!

Enfim, não peguem táxis que não tem táximetro! É um direito seu, e se esta porra é regulamentada (e obrigatória) para dar os valores de uma corrida de táxi, os ‘profissionais’ da área tem que usar!

Valeu, negão.

Publicado por: Bruno Nigro em: 26 26UTC Junho 26UTC 2009

Michael Jackson (1958 - 2009)

1983, show de aniversário de 25 anos da Motown, gravadora conhecida por lançar e dar oportunidade aos artistas negros. No palco, seria ‘apenas’ mais uma apresentação do novo astro negro: Michael Jackson. Até que, durante a performance de ‘Billy Jean’, o cara vai até um dos cantos do palco, atira o chapéu e desliza de costas até o outro lado. O ‘moonwalk’ era apresentado ao mundo e, naquele momento, ele vestia para sempre o manto e a coroa de ‘Rei do Pop’. Naquele momento, o mundo do showbizz mudaria para sempre.

Valeu, negão. Vai na paz.

Boas idéias merecem um ctrl+c

Publicado por: Bruno Nigro em: 25 25UTC Junho 25UTC 2009

Diretamente do maionese, blog da grande amiga Raquel (com Q e U):

Sobre romantismo e afins.

Publicado por: Bruno Nigro em: 11 11UTC Junho 11UTC 2009

♪ You know I cant smile without you... ♫

♪ 'You know I can't smile without you...' ♫


Sempre fui um cara romântico. Desde que me entendo por gente, reconheço em mim as características autênticas daquele personagem digno de uma canção do Roberto.
“Do tipo que ainda manda flores”, inclusive. E é claro que essa característica, diferente do que contam os livros, filmes e badulaques em geral, me trouxe muita dor de cabeça (e não falo de chifres, malandrops). Porém, me proporcionou muitas histórias legais pra contar para meus possíveis filhos, netos…e até aqui no blog.

Sou a favor da paixão descabida, exagerada. Mesmo que o fim da linha seja o encontro da tua cara com o muro (ou a sarjeta destinada aos bêbados solitários e aos abandonados pela mulher amada), vale a pena viver a sensação única que é gostar tanto de alguém a ponto de se anular às vezes. O equilíbrio é necessário, não só nos relacionamentos como em todas as àreas da vida. Mas, existe coisa mais chata do que aquele olhar de reprovação de um amigo(a) quando você conta todo empolgado que conheceu a mais nova mulher da sua vida, ou o pai dos seus filhos, ou a tampa da sua panela e tantos clichês?

Há quem ame plenamente e se entrega, sofre, sorri, espera… vive. Há quem confunda as bolas e ame como quem ama o seu emprego, mas mantém os dois pés atrás com medo de uma nova borduada. Há quem ame apenas a si mesmo num egoísmo meio bobo, afinal, criatura sociável que somos, não nascemos para ser sozinhos. Mas, há quem consiga essa proeza; assim como existem pessoas incapazes de amar. E eu conheci algumas, (in)felizmente.

Se ao morrer, eu tivesse como guardar uma única sensação dessa vida, eu escolheria o frio na barriga, as borboletas no estômago, a respiração ofegante, o coração descompassado e o sorriso sem jeito e sincero que só os que se permitem receber a paixão de braços abertos sabem como é. Mas, prefiro viver cada segundo desse mix de sensações… várias vezes e, se possível, com a mesma pessoa.


P.S:
Dedico esse post para ela, vulgo ‘a namorada’. Inspiração, zelo, cuidado, carinho e adrenalina… por tudo isso e tudo mais que ela vem adicionando em minha vida.  Te amo, paçoca! =)

Sugestões Sugestivas

Publicado por: Bruno Nigro em: 9 09UTC Junho 09UTC 2009

Ontem, enquanto assistia ao velho maluco do sino no Jô Soares, eu tuitei o seguinte dilema: “Por que bolar um nome de personagem é tão complicado? Especialmente quando é o principal?”. Pois é, ainda não tenho como explicar direito o motivo do perrengue, mas gostaria de pedir sugestões ao povo criativo* que visita o Bloguice.

O que posso adiantar é que as histórias são retratadas no dia-a-dia, como crônicas e romances policiais. Então, os nomes dos personagens devem ser simples, fáceis de decorar, guardar e associáveis aos estereotipos da sociedade atual. Então, nada de ‘Samwell Skycrapper’ ou ‘James Piccolli’… por favor, um nome engraçado ou curioso daquele(a)  vizinho(a) é bem-vindo.

Conto a ajuda de vocês, cambada. Postem aí nos comentários as suas sugestões e ajudem essa idéia a andar cada vez mais rápido! A casa agradece, e você ainda pode ganhar cervejas por isso! =)

P.S.: Só não vale ‘Helena’. Manoel Carlos já gastou esse nome à exaustão.


* Sinceramente, um povo que digita ‘festa do estica e puxa’ e vem parar aqui no blog deve ter alguns lapsos de criatividade bem interessantes.

Quanta modernidade para tempos tão rústicos.

Publicado por: Bruno Nigro em: 5 05UTC Junho 05UTC 2009

Estou de saco cheio de tanta gente moderna. Sério, isso tá um porre. E o que é pior é um porre que nem mesmo a cara cheia de cachaça te livra disso. Sim, os modernos também bebem, e nada mais chato que gente moderna bêbada. Eu poderia citar milhões de exemplo de gente com essas características, aos montes mesmo. Por trás dos seus óculos de armação grossa e seus livros sobre design russo, esses seres se proliferam igual a coelhos criados fora do cativeiro.

Experimente sair nas tais ‘baladas alternativas’ aqui no Rio de Janeiro (ou em Recife, São Paulo, Porto Alegre… é tudo a mesma merda) e vocês vão entender bem o que estou falando. O mal-gosto e a punhetice toma conta de mentes e corpos, e não há mente que se preserve sadia após algumas horas na convivência desse tipo de gente broxante. Estão sempre atrás da última moda do último beco pseudo-junkie de Londres ou de qualquer outro pedaço do velho continente. Se bem que Dubai é a nova febre… vamos todos para Dubai! E não passam ali da Avenida Paulista.

Uma massaroca de gente que teoriza sobre a foda, mas que não trepa e muito menos sai de cima. Simplesmente descarte conhecer gente nesse tipo de lugar. Prefira beber ou dar um tapinha (pro chegados, lógico), não avacalhe sua noite tentando se dar bem com a mocréia de wayfarer branco (pô, mas o óculos é bem legal). Provavelmente além de chata é frígida ou, como agora também é moda, não gosta mais de pau. O que a coloca diretamente no time da concorrência… desista, amigo!

Falando em modinhas. Agora existem os homosexuais e os viados, o que são coisas completamente distintas. Um homossexual, desde que bem-resolvido, é e pronto. Não tem essa babaquice de uma hora ter vontade de dar a bunda, e amanhã ‘acha’ que gosta de mulher. Ou então, a palhaçona dá pra 3 caras numa suruba hardcore e amanhã tá beijando a vizinha de 13 anos na boca, ’só pra descontrair’… desculpem minha pouca sensibilidade, ou uma certa intolerância, mas vejo nessa cambada de juvenis um bando de imbecis que daqui a 30 anos vão se perguntar: ‘Mas que merda era essa que eu pensava da vida, hein?’

Mas o que fazer pra se divertir? Agora, se você é agraciado com uma excelente e cheirosa cia. Divirta-se! Mas, na dúvida, fique com a máxima de Vinícius de Moraes:

O uísque é o melhor amigo do homem. É o cachorro engarrafado.